Caro 2021,…

escrevo para contar que 2020 está se despedindo e logo você estará aqui conosco. Peço que venha leve e traga boas novas. Leve tudo que já não cabe mais, “ando cansada de bagagens pesadas. Daqui pra frente apenas o que couber no bolso e no coração” (Cora Coralina).

2020 foi pesado. Para você ter uma ideia, lá no início do ano Ailton Krenak escreveu: “o futuro é aqui e agora, pode não haver o ano que vem”. Parecia pessimismo demais, mas essa foi a realidade para muitos. Muitas vidas se foram em pouco tempo. Infelizmente, para muitos 2021 não haverá.

Quem ficou segue. Seguimos vestidos de incertezas, uma roupa apertada e sufocante que tivemos que nos acostumar nos últimos meses. Somos sobreviventes e é preciso vestir também a fé para não faltar ar. Tenho certeza que “não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linhas duplas todas as feridas abertas” (Lygia Fagundes Telles).

Que venha 2021, me sinto forte pois “aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e voltar sempre inteira” (Cecília Meireles). Aprendi também que “o que fazemos uns para os outros é o que permanece” (Nina Sankovitch) e tenho cada vez mais certeza que “enquanto houver um louco, um poeta e um amante, sempre haverá sonho, amor e fantasia” (Shakespeare).

Sei que “o que faz o deserto ser bonito é que ele esconde um poço em algum lugar” e também sei que “vou precisar suportar duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas” (Antoine de Saint-Exupéry). Eu aceito o desafio e sigo sonhando, pois “em mim o que há de primordial é o hábito e o jeito de sonhar” (Fernando Pessoa).

Logo iremos nos encontrar, 2021. Confesso que estou ansiosa pela sua chegada. Não sei que surpresa trará na bagagem ou se virá acompanhado, mas gostaria que soubesse: “Eu nunca chego só, chegam comigo a força do meu amor, a suavidade do meu silêncio, a grandeza dos meus sonhos e a riqueza ancestral de milhares de vozes” (Tales Nunes). Até breve!

Abraço, Carla Sousa

📚Texto autoral composto com doses de alguns escritores e escritoras que me ajudaram a viver em 2020. Você também pode ouvir a leitura da minha carta no Canal de Podcast do Doses de Biblioterapia clicando aqui.

Até a próxima dose!

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