Crônica do bolo fofinho de laranja

Adoro comer bolo e tomar café. Dia desses fui dar uma volta e parei num café chique que há muito não ia. Apesar do lugar super moderno com cardápio internacional, fui fiel ao meu paladar simples. Vi um bolo de laranja destoando de tudo no balcão e pedi um pedaço. Para acompanhar um café com leite vegetal de amêndoas com sementes de girassol, que o atendente fez questão de explicar que era feito ali mesmo depois de descansar por horas e tal. Não custava experimentar, pensei. Algo mais arrojado para acompanhar um pedaço simples. Talvez caísse bem essa mistura.

No primeiro pedaço o bolo se revelou pesado, sem gosto e sem vida. Sem dúvida, estava dormindo naquele balcão há dias. De tanto gostar de bolo virei especialista em detectar sintomas de rejeição, tristeza e morte da minha simplicidade preferida.

Comi dois pedaços. Abandonei o restante com tristeza. Acabei de tomar o quase intragável café com leite vegetal especial da casa. E fui embora. Deixando para trás um desejo não preenchido.

Fiquei alguns dias a sonhar com um bolo fofinho de laranja. E numa manhã de domingo chuvosa acordei com a cozinha me chamando. Separei os ingredientes e em poucos minutos a mágica se fez. Cozinhar é um ritual de magia. Meu bolo feito com tanto amor parecia nuvem e me levou aos céus. Enfim, descobri que o meu pedaço de paraíso sempre esteve ao alcance das minhas mãos.

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