Crônica do quartinho dos fundos

Cresci numa casa cheia de livros. Não lembro quando comecei a ler. Mas, lembro que o amor pela literatura nasceu quando eu ainda era pequena, ou nem tanto. Tinha uns 10 ou 11 anos, já era mocinha e começava a abandonar as bonecas. Mudamos para uma casa sem quintal. E o quartinho dos fundos que abrigava os livros do meu pai virou o quintal da minha imaginação. Sem muros, sem galinhas, sem areia e sem goiabeira. Mas repleto de lugares e histórias que me levavam para longe e para dentro de mim mesma. Ali nasceu o meu amor.

Entre prateleiras improvisadas eu habitava boa parte do tempo. Ali eu me relacionava com as palavras, sem professor, sem pudor, sem censor. Eu era livre. Lia tudo. Além dos livros, devorava revistas velhas, enciclopédias e jornais.

Mudei de casas muitas vezes. Mas jamais abandonei o quartinho dos fundos: o quintal da minha imaginação.

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