“E se a pessoa chorar? Que bom!”

“E se a pessoa chorar?” Essa é uma pergunta que eu ouço muito nos cursos de Biblioterapia. Afinal, a literatura mexe com as pessoas e a prática biblioterapêutica é um espaço de acolhida das emoções. E se a pessoa chorar, que bom! Isso demonstra que ela é ser humano e que seus sentimentos não estão adormecidos.

Como diz o @akapoeta: “chorar não é fraqueza. É uma demonstração sincera de humanidade. É quando transbordamos. É nosso corpo fazendo poesia em silêncio”.

Está tudo bem se a pessoa chorar. É preciso acolher as lágrimas do outro, sentir junto com ele e ter sempre um lencinho de papel à mão. Transbordar, sair de nós e tocar o outro é o que nos falta nesse mundo embrutecido.

Me preocupa muito o fato de uma pessoa ser incapaz de chorar. Talvez por ter engolido muitos choros na vida, porque alguém disse que era assim que tinha que ser ou porque chorar ‘nunca levou a nada’. Essa pessoa pode ter desaprendido a chorar e é preciso alguém ou algo – e por que não a literatura? – capaz de penetrar neste ser para ensiná-lo a ‘desachorar’, como faz o médico do ‘Menino Nito’, história de Sônia Rosa.

“Chorar é um abrir do peito. O pranto é o consumar de duas viagens: da lágrima para a luz e do homem para uma maior humanidade. Afinal, a pessoa não vem à luz logo em pranto? O choro não é nossa primeira voz?” (Mia Couto no conto ‘Machos lacrimosos, do livro ‘O fio das missangas’))

Torço para que essa voz nunca seja esquecida. E que esse seja um dos objetivos principais da Biblioterapia: lembrar por meio da literatura que somos feitos de água.

“A solução do mundo é termos mais do nosso ser. E a lágrima nos lembra: nós, mais que tudo, não somos água?” (Mia Couto no conto ‘Machos lacrimosos, do livro ‘O fio das missangas’)

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